Venezuelanos prometem chutar Hugo Chávez e seus comunista para Cuba

PESQUISA DIZ QUE VENEZUELANOS NÃO QUEREM CHAVISMO, NEM OPOSIÇÃO.

Datanalisis indica que cerca 40% dos venezuelanos são independentes. Eleições parlamentares acontecem em 6 de dezembro.

 Em um bairro popular de Caracas, Deidy passa seus dias procurando o que alimentar e vestir seus filhos. Não apoia o chavismo, nem a oposição, simplesmente não tem tempo para pensar em quem votará nas eleições parlamentares.

Dona de casa de 40 anos, esta mulher faz parte do grupo dos chamados “venezuelanos nem-nem”, que se destacam em um país muito polarizado politicamente desde a ascensão ao poder de Hugo Chávez em 1999, morto em 2013 e ao qual Nicolas Maduro sucedeu.

No entanto, entre 35 e 40% das pessoas, assim como ela, se definem como “independentes”, de acordo com o Instituto de pesquisas Datanalisis.

Isso não significa que eles não têm interesse na política: pelo menos metade deles pretendem votar nesta eleição potencialmente histórica, uma vez que a oposição está em boa posição para roubar a maioria parlamentar pela primeira vez em 16 anos.

Em sua modesta casa, Deidy Martinez diz ter sido uma fervorosa partidária de Chavez… antes de se decepcionar com Maduro. A oposição também não a convence.

Para Luis Vicente Leon, presidente da Datanalisis, “antes, uma parte importante dos que se definem como independentes votavam em Chávez. Ele conseguia convencer até mesmo aqueles que não eram chavistas”.

“A diferença nesta eleição é que a maioria deles estão totalmente decepcionados com este governo e que Maduro não é um líder carismático.”

Na campanha, os indecisos são cortejados por todos os lados.

A oposição pede um “voto de castigo” contra o governo, em um contexto de grave crise econômica, combinando alta inflação e escassez de bens essenciais.

Por sua vez, Maduro assegura que os “descontentes e confusos” devem entender que a crise é o resultado de uma “guerra econômica” travada pelos empresários da “direita oligárquica”.

Deidy deseja especialmente não precisar mais enfrentar filas de “três ou quatro horas” para comprar farinha, óleo, café ou as fraldas de seu filho de nove meses, o mais novo de seus quatro filhos.

Em outro bairro de Caracas, Petare, Virginia Castro, de 64 anos, tem as mesmas preocupações, enquanto espera em frente a uma loja. “Não encontramos nada e tudo custa terrivelmente caro”, diz.

“Preciso me levantar muito cedo para entrar na fila e, às vezes, quando chega a minha vez, já não há mais o que eu queria comprar”, lamenta.

Embora certos alimentos ou medicamentos tenham preços muito baixos, muitos outros são impossíveis de encontrar e sua compra é controlada.

Outros têm preços correspondentes às taxa de câmbio não oficiais – 880 bolívares por dólar, contra 6,3 na taxa oficial – e são inacessíveis em um país onde a inflação oficial é de 85% ao ano, 200% segundo os analistas.

‘Incerteza’”Meu marido recebe um salário mínimo (9.522 bolívares, ou 11 dólares de acordo com a taxa de câmbio não oficial). Nossa situação é crítica”, afirma Deidy.

Segundo Luis Vicente Leon, os “nem-nem” “também não se identificam com a oposição, que no momento não oferece nenhuma proposta clara, apenas com um discurso de ‘mudança’ e ‘punição’, mas a crise econômica deve desacreditar o governo”.

Virginia não sabe o que fará em 6 de dezembro. “Nem sequer quero votar, isso é uma piada”, afirma.

“O governo de Maduro é imprestável, mas eu não acredito na oposição, eu nem sequer os conheço”, suspira.

Guido, de 64 anos, que dá aulas particulares para complementar sua aposentadoria de 13.000 bolívares, planeja votar nulo.

“Eu estou no limbo. Eu não apoio a oposição, mas também não posso tolerar um governo que reprime seu povo, em um país onde a compra de um par de sapatos e os custos dos alimentos são tremendamente caros”, ressalta.

Fonte: G1

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