Chá de erva-doce e vitamina C previnem o coronavírus?

Ilustração do coronavírus

Hoje, pela manhã, recebi a seguinte mensagem, repassada por uma parente através do WhatsApp — e já adianto ao leitor que a mensagem é falsa:

“Diretor do HC (Hospital das Clínicas) preocupado com a nova gripe, faz as seguintes recomendações:

– Fazer do álcool gel o nossso aliado.
– Começar a tomar vitamina C urgente, cuidar das crianças.
– Lavar as mãos muitas vezes ao dia.
– evitar locais onde haja multidão;
– tomar vitamina C;
– comer fígado de boi;
– ingerir sucos de acerola e laranja.
– Tomar chá de erva-doce duas vezes ao dia.

ERVA-DOCE

O chá de erva-doce tem a mesma substância que o medicamento TAMIFLU, o remédio usado para tratar a gripe A – H1N1.

Aconselha-se tomar o chá como se fosse café, após as refeições.

Um infectologista do hospital São Domingos, recomenda tomar de 12 em 12/horas o chá de erva doce, pois ele mata o vírus da influenza. É da erva-doce que é feito o TAMIFLU.

* Repasse para seus famíliares e amigos pois é muito importante.”

Como pode-se ver, a mensagem não cita nenhuma fonte que comprove a sua relação com o dito “Hospital das Clínicas”; ela não cita nem uma notícia e nem uma publicação oficial do mesmo  — além de não dizer qual hospital seria, já que existe mais de um “hospital das clínicas” no Brasil. Essa mensagem contém alguns erros de ortografia — eu os destaquei — e uma pontuação mal feita, além de não haver um padrão de escrita. Em um momento escreve-se erva-doce com hífen e em outro, sem, por exemplo. Isso tudo que observamos até agora, deixa claro que a mensagem não veio do tal hospital.

Mas e o conteúdo? Ele tem algum fundamento ou algo correto? Bem, as únicas partes que estão corretas são as que recomendam cuidados de higiene e evitar multidões. Não se pode dizer que o chá de erva-doce, por exemplo, previne a infecção por esse vírus. Porque ele ainda é muito novo e os próprios cientistas estão aprendendo como ele age e se transmite. Eles ainda não sabem que alimentos e remédios podem ser ingeridos para preveni-lo. E para finalizar: a mensagem encerra-se com um pedido de repasse, o que é muito comum em notícias falsas e boatos.

Até o horário da publicação desta matéria, há nove casos suspeitos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. São 1 em Minas Gerais, 1 no Rio de Janeiro, 2 em Santa Catarina, 3 em São Paulo, 1 no Paraná e 1 no Ceará; mas destes, nenhum é comprovado ou provável. As orientações oficiais do governo brasileiro podem ser acessadas aqui.

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