Crise na Venezuela faz com que quase 1 milhão de crianças sejam abandonadas pelas famílias

Com sete anos de colapso econômico devido a tirania de um ditador socialista, a crise migratória na Venezuela se transformou em uma das maiores do mundo.

Milhões de pessoas já partiram da Venezuela em busca de uma vida melhor em todo mundo.

No final de 2020, estima-se que 6,5 milhões de pessoas terão fugido do país, segundo a agência de refugiados da ONU —número raramente ou jamais visto fora de uma guerra.

Mas escondido nesses dados há um fenômeno surpreendente. As mães e os pais da Venezuela, determinados a encontrar trabalho, comida e remédios, estão deixando centenas de milhares de crianças aos cuidados de avós, tias, tios e até irmãos que mal passaram da puberdade.

Muitos pais não querem submeter seus filhos aos problemas intensos e às vezes perigosos do deslocamento. Outros simplesmente não podem pagar para levá-los.

O êxodo é tão grande que está reformulando o próprio conceito de infância na Venezuela, enviando estudantes para trabalhar nas ruas —e deixando muitos expostos a pessoas abusivas que preenchem o vácuo deixado pelo colapso do Estado, incluindo traficantes de sexo e grupos armados.

Em algumas situações, as crianças foram passadas de avós para primos e de primos para vizinhos, com cada cuidador migrando ou desaparecendo até que os jovens finalmente se encontraram sozinhos.

“Este é um fenômeno que vai mudar a face da nossa sociedade”, disse Abel Saraiba, psicólogo do Cecodap, que oferece aconselhamento a crianças venezuelanas.

Essas separações, acrescentou ele, têm o potencial de enfraquecer a própria geração que deveria um dia reerguer a Venezuela dos destroços.

As partidas estão sobrecarregando as organizações comunitárias, muitas das quais viram seus doadores —famílias de classe média e alta— fugirem do país quando mais precisavam deles.

A chegada do novo coronavírus à Venezuela isolou essas crianças ainda mais. Para combater a disseminação, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou uma quarentena no país, enviando militares para as ruas para aplicar as medidas.

A iniciativa separou muitos jovens de professores e vizinhos que poderiam ser seu único meio de sustento. Ao mesmo tempo, as fronteiras estão fechadas, isolando essas crianças do resto do mundo e tornando impossível para seus pais retornarem ou voltarem para recuperá-las.

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