Governo alemão aconselha judeus a não usar o quipá em público e europeus reagem

O comissário de antissemitismo do governo federal alemão, Felix Klein, aconselhou os judeus a não usarem o quipá em público em toda a Alemanha. “Infelizmente tenho que dizer isso”, disse o comissário em entrevista ao jornal Funke. Segundo Felix, usar um quipá pode ser perigoso por causa do aumento do antissemitismo no país.

O ministro do Interior da Baviera, Joachim Herrmann, por outro lado, encorajou os judeus na Alemanha a usar o quipá, peça de vestuário usada pelos homens para cobrir a cabeça. “Todo mundo pode e deve usar seu quipá, onde e quando quiser”, disse o ministro. “Vestir o quipá faz parte da liberdade religiosa. Se cedemos ao ódio contra os judeus, deixamos o campo para as ideias nazistas”, disse o político do partido CSU.

Antissemitismo na Alemanha

O antissemitismo sempre existiu na Alemanha, mas recentemente se tornou mais agressivo e frequente.

Os últimos dados divulgados pelo Ministério do Interior alemão revelaram um aumento de quase 20% nos crimes de antissemitismo no último ano. O número de crimes antissemitas foi de 1.799 casos em 2018, e no ano anterior 951. Os ataques físicos contra judeus aumentaram substancialmente, de 37, em 2017, para 62, em 2018.

Em março do ano passado em Berlim, um muro no Centro Anne Frank foi vandalizado com as palavras “F* Israel”. E em setembro do mesmo ano, uma mulher judia usando uma corrente com a estrela de Davi foi insultada e expulsa da loja onde se encontrava.

Também em 2018, um homem que usava a Estrela de David foi espancado no centro de Berlim. E um jovem de 19 anos atacou dois judeus que usavam o quipá.

Reação europeia
As declarações do comissário levaram a uma forte reação na Alemanha e em outros lugares da Europa, como no país vizinho, a Holanda.

Nesta quarta-feira (29), em reação às declarações de Felix Klein e sob o lema #ComQuipá, o Centro de Informação e Documentação Israel (CIDI) realizou uma demonstração na Praça de Haia contra o antissemitismo e o pelo direito de usar o quipá na Holanda e em toda a Europa.

O CIDI também está preocupado e declarou à mídia holandesa: “Que um governo desencoraje um grupo de simplesmente ser ele mesmo, nunca deve se tornar normal”.

Alguns políticos holandeses também aderiram à defesa da liberdade do uso do quipá, e participaram do movimento usando um. Entre eles estavam o conservador de direita Thierry Baudet, Gert-Jan Segers do partido conservador  cristão ChristenUnie e o cristão-democrata Ferd Grapperhaus.

O conservador Thierry Baudet, líder do partido Fórum para a Democracia, disse à mídia holandesa: “Esse é um momento triste de intolerância. Devemos nos proteger contra a cultura que entra aqui. Temos que parar de enterrar nossas cabeças na areia”.

O cristão conservador Gert-Jan Segers do partido ChristenUnie acrescentou: “Estamos nos levantando contra o antissemitismo. Não devemos nos distrair e devemos fazer o que pudermos.”

Emoji judaico com quipá
A Conferência Europeia de Rabinos quer lançar um emoji judaico. Um emoji que represente um homem usando um quipá.

“É um símbolo pequeno, mas pode ser o primeiro sinal de que somos aceitos e não rejeitados”, argumentam os rabinos europeus.

De acordo com os rabinos, um emoji judeu pode ser um meio de continuar lutando contra o antissemitismo. Por isso, eles escreveram para o Unicode Consortium e solicitaram a criação de um emoji desse tipo. O Unicode Consortium desenvolve o símbolo padrão que pode ser modificado por outras plataformas, como mídias sociais e aplicativos de bate-papo.

Já existe um emoji de uma mulher com hijab, o véu islâmico e de um homem com turbante. Um emoji judaico não está disponível, embora seja possível encontrar símbolos judaicos na maioria das plataformas, como a menorah (candelabro de sete braços), a sinagoga e a estrela de Davi.

Há um outro aplicativo externo que permite enviar emoticons judaicos. Este é chamado de “Shalomoji” e pode ser baixado da App Store. Uma versão no Google Play está a caminho.

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Amauricio Borba

Formado em Economia, Jornalismo e Ciências Políticas pela UNIVILLE – SC. Gaúcho de nascimento e catarinense de coração. Conservador de direita em defesa da ética, da liberdade de expressão e por um Brasil mais justo. Apaixonado por vendas é fundador do Jornal Expresso Diário
Amauricio Borba