A nova Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais de São Paulo (Bomesp) já deu os primeiros passos para se tornar realidade, e anuncia um programa de emissão de criptomoeda com o lançamento da Niobium Coin (NBC). A iniciativa permitirá que empresas de todos os portes financiem projetos nessa bolsa, que deve estar em pleno funcionamento no 3º trimestre.

O projeto foi concebido pela Fundação Nioubium, entidade internacional sem fins lucrativos que congrega algumas das maiores autoridades mundiais em moedas virtuais. A niobium foi formatada com base em uma das tecnologias mais modernas de black chain através de contratos inteligentes da plataforma Ethereum (ETH).

Em entrevista à Sputnik Brasil, Fernando Barrueco, diretor da Bomesp e diretor jurídico da Fundação Niobium, diz que o projeto é revolucionário, uma vez que vai permitir a empresas de todos os portes e até mesmo do terceiro setor se capitalizarem, lançando suas próprias criptomoedas, o que vai criar uma alternativa às tradicionais fontes de financiamento oferecidas por bancos e pelo mercado de capitais.

“Veio a ideia de lançar uma bolsa de moedas que promovesse o que chamamos de economia distributiva. As empresas poderiam criar suas próprias moedas, baseadas no serviço, produção ou em seus ativos. A Fundação Niobium, localizada em São Paulo e que tem sede na Áustria, foi escolhida por ter um ambiente jurídico mais seguro do que existe no Brasil”, diz o diretor da Bomesp.

Barrueco observa que muitas empresas no exterior já recorrem ao lançamento de suas próprias criptomoedas, como é o caso da Kodak e do aplicativo Telegram, que fizeram suas próprias ofertas públicas de moedas, e devem lançá-las nos próximos meses.

O diretor da Bomesp diz que a emissão da moeda virtual da Bolsa será feita na plataforma Ethereum que, segundo ele, tem muito mais possibilidades dentro do chamado block chain, que nada mais é do que uma espécie digital do livros de entrada e saída de dinheiro, o denominado livro razão (que controla crédito e débito), o que possibilitou o nascimento do bitcoin.

“Quando eu envio uma fotografia ou um email pela internet, estou enviando uma cópia. Qual é o lado bom disso? Estou democratizando a informação. Quando envio R$ 100 para você, tenho que ter certeza que você vai recebê-los. O block chain resolveu o problema do duplo pagamento”, explica o executivo. O diretor da Bomesp diz que, no momento do lançamento, um ethereum (hoje em torno de US$ 1 mil) é igual a 600 niobiums.

O diretor da Bomesp não crê que a queda nas cotações das criptomoedas represente algum risco de longo prazo nesse mercado. Do lançamento de moedas virtuais na Bolsa de Futuros de Chicago, em dezembro do ano passado para cá, a bitcoin, por exemplo, já perdeu quase 50% de seu valor, embora tenha fechado 2017 com valorização de 1.500%. No primeiro dia na Bolsa de Chicago, a cotação chegou a US$ 18 mil, mas nesta quarta-feira (17) a criptomoeda era negociada pela primeira vez abaixo dos US$ 10 mil.

“É preciso entender que a criptomoeda não é um ativo financeiro. Tanto o niobium, quanto o bitcoin e o etherium são moedas sem ninguém garantindo (seu valor), e isso causa muita dúvida nas pessoas. Ela é uma commodity digital comparável ao ouro, à prata, ao cobre, e eles valem porque a sociedade determinou seu valor devido à raridade e utilidade”, diz o executivo. Barrueco diz que a decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de proibir fundos de investimento de aplicarem em moedas digitais se deve ao fato de que inexiste uma legislação específica no Brasil.

“A gente tem que lembrar que até 1994 os fundos de investimento não podiam comprar imóveis, e eles são ativos, ativos não financeiros. Eles foram regulamentados e começaram a aparecer os fundos imobiliários. A gente espera que no futuro haja um parâmetro para que os fundos de investimento possam comprar moedas virtuais”, finaliza o executivo.

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