O senso do ridículo

Ter senso crítico é fundamental, mas confundir conveniência política ideológica com ter senso crítico é um erro considerável. Senso crítico não é escolher um lado para dissecar o outro, muito pelo contrário, exige, acima de tudo, autocrítica. A ausência da mesma impede o autoconhecimento e promove uma cegueira ao observar o próximo.

Hoje qualquer um que não se posicione politicamente é acusado de pertencer a um grupo A ou B. E haja paciência. A atmosfera está tão hostil que me dá saudades do tempo em que a maioria dos brasileiros não ligavam muito para a política.

Têm-se  por obrigação moral (fabricada) externar seu “senso crítico”; a sua “consciência de classe” (muitas das vezes tão profundas quanto a tatuagem da Anitta) ou o seu discurso de ódio. É machismo; homofobia; masculinidade tóxica; racismo estrutural e afins. Há um cardápio farto para se tecer “textões”. Caso você discorde, a guilhotina virtual decepará a sua cabeça numa versão 2.0 das execuções equivocadas da revolução francesa (apenas troque o termo monarquista pelo fascista, por exemplo).

O interessante desse pessoal é que, sem perceber, reúnem em si todas as características daquilo que dizem mais combater, eles, muitas vezes, são os autoritários; os obscurantistas; os radicais e os fascistas. É o caso de um Narciso que nunca se olha, pois é necessário que assim seja para se sentirem belos. E assim caminham, confiantes e destemidos, a combater moinhos de vento.

Ultimamente se viram no BBB; não gostaram do que viram, então, há algo de errado no espelho. Lembraram do tempo em que o “Sistema” era o inimigo maior; automaticamente culparam a emissora de enfraquecer uma de suas militâncias ( a mesma emissora que mais vem dando voz a elas).

Por fim, começo a discordar que é um caso de “guerra cultural” apenas. O buraco parece ser bem mais embaixo. Coisas como essas são tratadas em um divã. É um caso clínico.

DEIXE UM COMENTÁRIO