Senado decide por voto aberto para eleição de presidente da Casa

O voto secreto, segundo apostas dos bastidores, poderia beneficiar Renan – já que os senadores não precisariam ligar as próprias imagens a um antigo cacique do Poder Legislativo, investigado em casos de corrupção

Depois de intensas discussões, senadores decidiram na noite desta sexta-feira (1º) que a eleição para presidente da Casa terá voto aberto. O plenário aceitou questão de ordem, com 50 votos favoráveis e dois contrários à medida. Presidente da sessão, Davi Alcolumbre (DEM-AP) também é candidato e deve polarizar a disputa com Renan Calheiros (MDB-AL).

O primeiro a apresentar a questão de ordem, no início da sessão, foi Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “O voto aberto não é uma questão de favorecer uma ou outra candidatura, só defendem o voto secreto aqueles que acham que as nossas ações não devem ter a transparência necessária”, afirmou o senador ao pedir que os colegas revelem os votos.

O MDB – de Renan Calheiros – e o Partido dos Trabalhadores foram contrários à mudança no regimento interno, que prevê a eleição secreta. Ambos alegaram que já houve decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto. A Corte não quis interferir no regimento interno do Senado e deixou a decisão exclusivamente para parlamentares.

O voto secreto, segundo apostas dos bastidores, poderia beneficiar Renan – já que os senadores não precisariam ligar as próprias imagens a um antigo cacique do Poder Legislativo, investigado em casos de corrupção. Com isso, grupos contrários ao emedebista têm articulado em favor de Davi Alcolumbre, que teria um perfil mais positivo.

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Questões de ordem

Além de Randolfe, o voto aberto foi defendido pelos senadores Lasier Martins (PSD-RS), Selma Arruda (PSL-MT), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Reguffe (sem partido-DF). Entre outros, eles alegaram que o povo brasileiro tem direito de saber em quem cada representante votou e citaram o “princípio da transparência” em ações do plenário.

Renan Calheiros reagiu. “Em nenhum lugar do mundo, onde prevalece uma Constituição e a democracia, jamais haverá voto aberto na eleição de presidente, não é do Senado, do STF, do Supremo Tribunal de Justiça [STJ], do Corinthians, da Rússia”, disse, em meio ao encaminhamento – ou tentativa disso – dos votos por líderes partidários.

Major Olímpio (PSL-SP), do partido do presidente da República, Jair Bolsonaro, indicou que a bancada do partido deveria votar a favor das questões de ordem, mas outros criticaram a presença de um candidato como juiz do processo eleitoral, como Humberto Costa (PT-CE), Eduardo Braga (MDB-AM) e Otto Alencar (PSD-BA).

Correligionário de Alcolumbre, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) disse que há precedente para que o colega presida a sessão. Como exemplo, citou o próprio Renan Calheiros, que, “em 2007 e em 2011”, avaliou questões de ordem “antes de passar o comando para outros parlamentares antes de passar o comando da sessão”.

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