PF prende Joesley Batista e vice-governador de MG

A Polícia Federal prendeu, nesta sexta-feira (9), o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, e o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade (MDB), por crime de lavagem de dinheiro em uma ação que é desdobramento da Operação Lava Jato.

De acordo com a PF, a operação busca desarticular uma organização criminosa que atuava na Câmara dos Deputados e no Ministério da Agricultura. Andrade foi ministro da pasta no governo Dilma Rousseff (PT), entre 2013 e 2014.

O sucessor de Andrade no ministério, o deputado federal eleito Neri Geller (PP-MT), também foi preso pela PF nesta sexta, em Rondonópolis (MT). Geller ocupou a pasta em 2014.

Segundo a PF, a JBS teria, por exemplo, pago R$ 7 milhões por ações em troca de atos do ministério que beneficiassem a empresa.

A ação, batizada de Capitu, é realizada nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso, além do Distrito Federal. Joesley foi preso em sua casa, em São Paulo. Ele chegou à carceragem da PF, no bairro da Lapa, localizado na zona oeste, por volta das 8h45. Já Andrade foi preso no interior mineiro, na cidade de Vazante, berço político do atual vice-governador de Fernando Pimentel (PT).

Estão sendo cumpridos, no total, 19 mandados de prisão temporária (com duração de até cinco dias). Eles foram expedidos pelo TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) por envolver pessoas com foro privilegiado. A Justiça também ordenou o cumprimento de outros 63 mandados de busca e apreensão nos cinco estados e no Distrito Federal.

Além de Joesley, Andrade e Geller, também foram presos Ricardo Saud, ex-diretor do grupo J&F, controlador da JBS, e Demilton Castro, que atuou por quase 40 anos na JBS. Castro chegou a delatar à PGR pagamentos da empresa a agentes públicos entre 2007 e 2015.

Deputado federal por cinco mandatos e agora reeleito, João Magalhães Bifano (MDB) também foi preso pela PF, em Belo Horizonte. Bifano foi flagrado durante as investigações da JBS, após a descoberta de um áudio que veio à tona em setembro de 2017. Nele, o deputado cobrava propina de Saud no valor de R$ 4 milhões. Bifano é pecuarista e agricultor.

A defesa de de Joesley disse que “causa estranheza” a prisão dele e que ele tem colaborado com a Justiça. O UOL não conseguiu contado com os demais alvos da operação, mas continua tentando (leia mais abaixo).

Operação tem base na delação de Funaro
A investigação da PF tem base nas declarações do doleiro Lúcio Bolonha Funaro. Ele relatou pagamentos de propina a servidores públicos e agentes políticos que atuavam direta ou indiretamente no ministério em 2014 e 2015.

“A Polícia Federal apurou a atuação de uma organização criminosa na Câmara dos Deputados e no ministério, integrada por empresários e executivos de um grande grupo empresarial do ramo de processamento de proteína animal”, diz a nota da instituição.

Durante as apurações, os investigadores apontam que identificaram “clara comprovação de que empresários e funcionários do grupo investigado –inicialmente atuando em colaboração premiada com a PF– teriam praticado atos de obstrução de justiça”.

De acordo com a instituição, isso “prejudicou a instrução criminal, com o objetivo de desviar a PF da linha de apuração adequada ao correto esclarecimento dos fatos”. “Daí o nome da operação, ‘Capitu’, a personagem dissimulada da obra prima de Machado de Assis, Dom Casmurro”, diz a nota da PF.

Segundo a PF, os alvos da operação desta sexta serão indiciados pelos crimes de constituição e participação em organização criminosa, obstrução de justiça, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, entre outros. As penas, segundo a instituição, podem variar entre três e 120 anos de reclusão.

JBS financiou campanha para presidência da Câmara, diz PF
A PF também afirma que a JBS teria participado do “financiamento ilegal de campanha de um deputado federal para a presidência da Câmara dos Deputados, em troca de atendimento dos interesses corporativos do grupo no ministério”.

O nome do parlamentar não foi mencionado pelos investigadores. O valor envolvido é de R$ 30 milhões.

“Desse total, o parlamentar teria destinado R$ 15 milhões a um deputado federal mineiro de seu partido, tendo a bancada mineira de seu partido recebido parte do montante, após a lavagem do dinheiro”, diz a PF.

Os valores foram depositados em contas bancárias de seis escritórios de advocacia.

Na sequência, haveria o repasse “aos beneficiários finais, conforme determinação do deputado federal mineiro e de seu operador, também deputado federal”.

A PF ainda aponta que “uma das maiores redes de supermercado do país [sem citar o nome] também teria integrado a engrenagem de lavagem de dinheiro oriundo do esquema, repassando aos destinatários finais os valores ilícitos em dinheiro vivo e em contribuições ‘oficiais’ de campanha”.

“O total de doações ‘oficiais’ feitas por empresas vinculadas e administradas por um empresário do ramo de supermercados nas eleições de 2014 totalizou quase R$ 8,5 milhões”.

Outro lado
Ao UOL, um dos advogados de Joesley, Pierpaolo Bottini, disse que ainda não poderia comentar a situação, pois não teve acesso a decisão até o momento.

Também membro da defesa do empresário, o advogado André Callegari disse, em nota, que “Joesley é colaborador da Justiça e tem cumprido à risca essa função”.

“Portanto, causa estranheza o pedido de sua prisão no bojo de um inquérito em que ele já prestou mais de um depoimento na qualidade de colaborador e entregou inúmeros documentos de corroboração. A prisão é temporária e ele vai prestar todos os esclarecimentos necessários”, declarou o defensor.

Joesley foi preso pela primeira vez em setembro do ano passado e ficou em reclusão até março deste ano. O STF (Supremo Tribunal Federal) havia determinado sua prisão, na ocasião, por ele ter omitido informações de sua delação premiada na PGR (Procuradoria-Geral da República).

*Colaborou Carlos Eduardo Cherem, em Belo Horizonte

Amauricio Borba

Formado em Economia, Jornalismo e Ciências Políticas pela UNIVILLE – SC. Gaúcho de nascimento e catarinense de coração. Conservador de Direita sempre em defesa da ética, da liberdade de expressão e por um Brasil mais justo. Apaixonado por vendas é fundador do Jornal Expresso Diário
Amauricio Borba

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